13RW: o que tem alimentado a sua alma?

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13RW: o que tem alimentado a sua alma?

Você é alérgico a algum alimento? Se sim, pense nele, se não, imagine que você seja extremamente alérgico a camarão, e que tem reações alérgicas terríveis e perigosas quando se alimenta desse tipo de crustáceo. Chegando num restaurante, um dos pratos mais bonitos é feito basicamente de camarões e legumes, você comeria? Imagino que ninguém arriscaria comer algo que tivesse certeza que o deixaria bem mal, correto? Bom, nossa alma e coração deveriam ser alimentados com o mesmo cuidado.

No fim de março, a Netflix lançou a série 13 Reasons Why, baseada no livro de mesmo nome, lançado em 2007. Com todos os episódios disponíveis, os comentários da história e a mensagem que a série passa (boas e ruins) logo começaram a virar assunto mundial e muitos amigos meus assistiram e me deixaram muito curiosa.

“A série gira em torno de Clay Jensen que encontra uma caixa na porta de sua casa. Ao abri-la, ele descobre que a caixa contém sete fitas cassete gravadas pela falecida Hannah Baker, sua colega que cometeu suicídio recentemente. (…) Nas fitas, Hannah explica para treze pessoas como eles desempenharam um papel na sua morte.” Wikipédia

Bom, não assisti a série, primeiro por não conseguir acompanhar mais de um seriado por vez e também porque quando decidi começar, aconteceu uma situação que me fez pensar se seria um bom para assistir algo com esse conteúdo e temática.

Poucas semanas atrás, numa madrugada, me vi lendo comentários na internet sobre dois casos distintos, e fiquei assustada com a maldade de algumas pessoas. Em nenhum dos casos as pessoas tinham feito algo que justificasse os ataques, mas o fato de terem opiniões diferentes sobre os assuntos em questão pareceu suficiente para serem humilhados e atacados virtualmente.

Estou no processo longo, tentando lidar com a ansiedade e sofrer menos por coisas futuras que nem existem, e ler pessoas sendo atacadas por pessoas que eram para servir de apoio me fez, por uma hora, perder toda a esperança que eu tinha na humanidade. Chorei, tive medo do futuro, pensei no tipo de pessoas que lidariam com meus (futuros) filhos, de como a sociedade não sabe lidar com diferenças e de que isso ia acabar de vez com a paz. Sofri até pela geração dos meus netos que vai lidar com gente 3x mais babaca do que as que lidamos hoje. Uma crise de ansiedade que beirou o pânico e que foi desencadeada só por ler comentários na internet.

Conheço algumas pessoas que dizem não assistir telejornais por não gostarem de notícias trágicas, porque não ficam bem quando têm contato com esse conteúdo. As coisas estão chegando num nível que não basta não assistir a jornais, mas sair também do facebook, que prolifera desesperança (não dá para defender quem compartilha imagens de pessoas ensanguentadas, por favor). Eu decidi diminuir a quantidade de notícias que vejo na internet, já que trabalho com minha conta no facebook e não posso deletá-la.

Nesses mesmos dias, começaram a surgir as primeiras análises sobre a série 13RW, de um lado, pessoas defendendo o conteúdo da série, por servir de alerta aos perigos do bullying, dos estragos que ele pode causar. Do outro, pessoas acusando a Netflix por ser irresponsável, por romantizar o suicídio e que pessoas com histórico depressivo/suicida poderiam ser incentivadas pela série de alguma forma. Foram divulgados números que comprovam que os pedidos de ajuda por pessoas com tendência ao suicídio aumentaram depois da exposição da série, por outro lado, pessoas depressivas disseram que assistir a série os deixou pior. Em Itajaí, uma adolescente se matou depois de assistir a série. A garota já havia tentado se matar outras vezes e era depressiva. Sua última atualização nas redes sociais foi de que estava assistindo 13RW.

Em um grupo do whatsapp essa semana, duas amigas minhas (migas, amo vocês!) conversaram sobre como assistir a série as deixou mal, tristes por dias, e uma comentou que a vontade de “acabar com tudo” aumentou depois de assistir. Cheguei um pouco depois e contei porque eu havia decidido não assistir, não por enquanto, e não é só sobre essa série, mas é sobre como este tipo de conteúdo pode ser prejudicial para quem não está bem.

Percebo que problemas psicológicos ainda são absurdamente negligenciado por cristãos, que acham que é frescura, e que cristão “não pode sofrer dessas coisas”, como síndrome do pânico, depressão, ansiedade, mas não é bem por ai. E mesmo que você não sofra, vale pensar: o conteúdo que eu assisto, influencia minha vida de que forma? Sou bem alimentado quando assisto, leio, vejo, sobre tais acontecimentos? Particularmente, 2016 foi um ano bastante difícil, sem cor, onde a maioria dos dias foram de tristeza e ansiedade, e nos outros Deus me supriu interiormente de uma paz que eu nunca havia desfrutado, mesmo em meio ao caos. Esse ano comecei decidida a ficar bem, independente das circunstâncias, e parte dessa escolha está em encher minha alma, mente e coração de coisas boas, alegres, motivos de gratidão, motivos para ser feliz. Uma série sobre uma garota que justifica seu suicídio definitivamente está fora de cogitação.

O problema não é a série, o problema não são os jornais, o problema não é (apenas) a maldade alheia. Quando o ap. Paulo fala que tudo é lícito, mas nem tudo convém ( 1Co 6:12), penso que ele fala sobre escolhas. Assistir a séries que relatem histórias tristes não é errado, mas é conveniente para o atual momento? É como levar alguém que acabou de romper um relacionamento longo e está sofrendo, para assistir uma comédia romântica no cinema. Cabe? E isso vale para tudo! Um dos problemas dos meus medos, é que eu praticamente não ando mais sozinha na rua, prefiro não sair a sair desacompanhada. Esses dias minha mãe veio contar sobre uma amiga que havia sido assaltada aqui perto e eu pedi para que ela não me contasse essas histórias, me apavoravam mais e me deixavam paranoica.

Devemos entender as alergias da nossa alma e respeitá-las, tratá-las. Tenho pensado ainda sobre assistir ou não a série, estou melhor do que estava. Algumas coisas são para outros momentos, outras, para momento nenhum. Se os dias estiverem cinzas, procure se alimentar de coisas alegres, que te lembrem o quanto é bom viver, um dos meus versículos preferidos fala justamente sobre isso: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” Lm 3:21

Então, meu conselho é: cuide do que vai para o seu coração, dele procedem as fontes da vida (Pv 4:23) e da alegria, e da paz, e da esperança…

“Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; Ele é o meu Salvador e o meu Deus. “ Salmos 42:11

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Rayane France
"Me chamo Rayane, moro em Brasília, comecei a escrever diários em 2009 e guardo todos eles, digo que é para a minha posteridade (risos). Evangélica desde o nascimento em 1995, cristã e apaixonada por Jesus desde 2010, membra da Igreja de Nova Vida, coordenadora no Strong Movement (@jovensstrong), dançarina na Cia. Vidança, adoradora e serva de Jesus em todos os lugares. Faço de tudo, e em tudo Ele me refaz.
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11 Comentários

  1. Adorei seu texto muito coerente. Assisti toda a serie, porém não aconselho a quem esteja num momento triste, depressivo, angustiante da vida, pois é um drama muito realista, mas que me fez enxergar muitas coisas, como palavras pequenas e inofensivas podem machucar e se tornar maiores, além de muitas outras questões que nos ajudam a repensar várias atitudes ou falta delas na nossa vida. Pra quem está bem com uma saúde mental equilibrada aconselho sim que vejam e tirem o melhor da série, que é polêmica mas traz uma abordagem muita realista do bulling que gera depressão e começa devagarzinho.

  2. Parabéns pelo post! Muito edificante. Acontece o mesmo comigo, prefiro não ver nem procurar noticias ruins. E quando estou num grupo e as pessoas começam a falar sobre tragédias, acidentes e outras coisas ruins eu peço licença e saio. Sofri de transtorno de ansiedade, foram tempos de dor e angustia. Mas Deus ouviu minhas orações e me socorreu quando eu mais precisava. E é assim todos os dias.

  3. Que post fantástico. Li mtas matérias de psiquiatras sobre essa série mas nenhuma tão boa qto esse texto… Bom, quero compartilhar minha experiência com 13RW: luto contra a depressão há 13 (longos) anos, recentemente tbm desenvolvi Transtorno de Ansiedade Generalizada, o que só agravou o quadro. E tbm tenho pensamentos suicidas, infelizmente… Assisti a série em menos de 24 horas. E, qdo terminei, tinha um enorme buraco no peito. Meus pensamentos suicidas voltaram com tdo. A história dessa jovem linda que tinha toda a vida pela frente me atingiu como um tiro… Ainda estou abalada. Sou cinéfila até o osso, já vi filmes com temáticas pesadíssimas mas NUNCA fiquei abalada desse jeito. Então resolvi pesquisar (tarde demais) e levei um choque com a opinião dos psiquiatras e entidades de saúde mental, que inclusive taxaram a série de irresponsável. E qdo li esse post fiquei muuuuuito aliviada de não ter sido a única que ficou mal, pois achei que estivesse ficando louca ou exagerando… Nem preciso dizer o qto me arrependi de ter visto, até pq ainda estou perturbada. Sem dúvida, a série traz a tona questões vitais de serem debatidas, como bullying… Mas deveria se aprofundar mais sobre depressão, que nem sequer é mencionada! Erro grotesco. Meu conselho sincero: quem sofre com a depressão ou mesmo está vulnerável emocionalmente, NÃO ASSISTA.

  4. Eu assistir esse serie toda… eu acho que vai da maturidade de cada pessoa, modo de vida, criação… envolve um pouquinho de cada coisa.. Para mim a serie serviu de alerta, observar mais o comportamento da nossa juventude, para poder ajudar nossos jovens e adolescentes a se encontrarem nesse mundo doido que ta hoje.

  5. Gostei muito do post, creio que uma das maiores virtudes do indivíduo é o alto conhecimento. Se você acha que não está bem, porque contribuir com coisas que só podem piorar a situação ?! Seria insano se não fosse irresponsável.
    Eu fujo de notícias ruins, nem jornal vejo mais, mas não é porque eu não me importe, ao contrário, é porque me importo demais, não consigo simplesmente ver o sofrimento alheio, automaticamente me coloco no lugar e sofro horrores, por isso evito, principalmente porque na maioria das vezes, não temos como ajudar, daí prefiro ajudar quem está perto mesmo, é pouco, mas já é uma semente. Mas isso é raro hoje em dia, muitos pais irresponsáveis, que não impõem limites, que não corrigem seus filhos, que deixam os pirralhos decidirem o que é melhor para si, só tem contribuído para uma sociedade cada vez mais arrogante e individualista, onde o Eu tem prioridade sempre e os mais fracos que se lasquem. O mundo está carente de amor, carente de Jesus, mas nós que ainda podemos fazer algo, não podemos nos fazer de rogados, devemos sim, orar e agir por melhoras !

  6. Rayane parabéns, como cristãos somos negligentes em muitos aspectos, inclusive em não praticar o amor. Confesso que estarei assistindo à série nos próximos dias, já sofri depressão e até tentei a morte, mas Jesus me salvou. Seguirei sem dúvidas suas considerações, vigiando e orando….tenho 40 anos e pai de 04 filhos….precisamos amar…

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