Afinal, feminismo e cristianismo podem andar juntos?

Existem coisas que nunca mudam, existem discussões que nunca acabam. E se tem um assunto que gera um debate interminável, é o que diz respeito ao feminismo. A situação fica ainda mais complicada quando se analisa esse conceito dentro dos preceitos cristãos. Para muitas pessoas, feminismo e cristianismo não combinam, assim como comunismo e cristianismo não combinam (apenas um exemplo, sim?).

É extremamente delicado falar sobre essa questão, mas da mesma maneira que é necessário. Não podemos nos fechar para certas discussões, quando a igreja de Cristo está inserida em uma sociedade mergulhada em equívocos originados de opiniões e ideias pífias ou sem fundamentos bíblicos, mas que acabam sendo propagados.

A base de tudo é entender a definição de feminismo e, em um primeiro momento, desconsiderar os movimentos feministas – falaremos sobre eles mais adiante.

Feminismo, no sentido legítimo do vocábulo, é a doutrina alicerçada na busca por direitos das mulheres na sociedade, assim como pela igualdade política, social e econômica de ambos os sexos. Nesse caso, como cristãos e à luz da bíblia, precisamos compreender se é acertado considerar que as mulheres devem ter os mesmos direitos que os homens, no caso, e além disso, se igualarem a eles.

Deveres conjugais

O texto de Éfesios sobre deveres conjugais tem sido muito discutido e muitas vezes até interpretado de maneiras muito diferentes, mas há duas coisas muito importantes para serem citadas sobre esse texto e outros, presentes na bíblia.

Primeiro, que é extremamente necessário, todas as vezes que formos ler uma passagem bíblica, identificar em que cenário histórico aquela mensagem está sendo empregada, e no caso das cartas endereçadas ao povo daquela época, esse cuidado deve ser ainda maior.

Existia naquele período uma realidade social, cultural, política e econômica completamente diferente da nossa, entre outras diferenças, inclusive no âmbito jurídico. Sendo assim, achar que absolutamente tudo que está na bíblia serve para basear nossa conduta nos dias de hoje é imaturo. Porém, em hipótese alguma devemos cair no erro conveniente de acreditar que estamos isentos de determinadas obrigações porque trata-se de coisas que não são próprias para os nossos dias. Devemos considerar que o que Paulo diz em sua carta sobre vida conjugal é extremamente atual, na verdade é atemporal: “Mulheres, sujeite-se cada uma a seu marido, como ao Senhor, pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador.” (Efésios 5. 22-23).

Mas o que “sujeitar-se a seu marido” quer dizer, exatamente? Uma mulher não tem a obrigação de se sujeitar às vontades e nem aos mandos e desmandos do seu marido, se esse for o caso, e estiver em desacordo com o que é correto aos olhos de Deus. Mas dentro do matrimônio e em todas as esferas da sociedade, homem e mulher exercem papéis específicos. São seres diferentes, cada um com suas peculiaridades e especificidades, cada um com suas obrigações.

No caso do casamento, se sujeitar ao homem, não significa para a mulher ser inferiorizada ou subestimada, significa respeitar o esposo e entender que ele foi escolhido por Deus para exercer uma liderança que é dele. Isso também não quer dizer que as esposas não podem tomar decisões, ter iniciativas, resolver situações. Na realidade, muitas mulheres exercem o papel de liderança em seus lares por uma necessidade específica e isso não é errado, o que não está de acordo com a palavra de Deus é a esposa querer usurpar do marido o papel que foi dado por Deus a ele, assim como ela mesma tem seu papel definido como mulher e esposa. As esposas devem se sujeitar aos seus maridos sim, e vice e versa, porque casamento é isso também, de ambos os lados, um ‘sujeitar-se’ feito com sensatez, equilíbrio e bom senso.

Mulheres  na sociedade

Até o momento falamos sobre vida conjugal, mas a questão do feminismo não trata apenas disso, e sim do papel e das condições da mulher em todo o âmbito social.

É indiscutível que a mulher, no decorrer da história da civilização, enfrentou grandes lutas por ser vista como ser inferior, indigna de desfrutar de direitos que os homens sempre tiveram. Essa luta perdura até os dias de hoje, porque as mulheres ainda não são tratadas como deveriam, mas isso não é uma regra. Elas já conquistaram muito! Muitos avanços foram dados, mas não podemos continuar batendo na tecla de que os “machos opressores” devem ser engolidos vivos pelas “mulheres empoderadas”.

Mulher e homem foram criados para reinar juntos sobre a terra, cada um cumprindo suas incumbências, sua missão. Não se trata de uma guerra dos sexos, mas de uma missão coletiva. Nós mulheres não podemos enxergar os homens como nossos inimigos, não fomos criados para isso.

Falando em direitos, é inegável que essa plenitude de igualdade ainda não foi alcançada e por mais que consigamos entender que a mulher não precisa e não tem que ser igual ao homem, algumas situações de desigualdade não são justificáveis.

Contanto que o feminismo fosse entendido como a luta das mulheres por esse seu devido espaço, por direitos congruentes ainda não alcançados e por sua valorização, essa seria uma luta justa. E é aqui que chegamos ao ponto determinante. Os movimentos feministas que estão em voga hoje em dia, carregam a bandeira do feminismo com reivindicações legítimas em sua essência, como também efetivas, pertinentes e eficazes?

Prazer, feminismo

Falemos agora sobre uma corrente militante que diz lutar pelos direitos da mulher, mas que na prática, se opõe a praticamente tudo que, como cristãos devemos acreditar e seguir. O feminismo que denigri a moralidade, deturpa a ética e  dissemina ódio, não pode ser visto como uma luta legítima.

Algumas bandeires são levantadas por esses movimentos e só um cego não vê que elas são totalmente incompatíveis com as diretrizes cristãs. Isso sem falar nos meios utilizados em suas manifestações, através de profanação ao sagrado, nudez e atentado à moral. Uma exposição vulgar e escandalosa da figura feminina, que segundo o movimento, não deve se preocupar com o que a sociedade pensa a repeito dela porque as mulheres podem fazer tudo que suas cabecinhas ‘livres’ se acharem no direito de fazer.

Um movimento que tem como um de seus lemas a frase “meu corpo, minhas regras”, de cara já mostra aquilo que representa. Como cristãos, entendemos que pertencemos a um Senhor, em corpo, alma e espírito, corpo esse, recebido d’Ele, o qual não podemos submeter as nossas próprias regras e vontades.

Para concluir, enquanto um movimento, seja ele de gênero, político, social ou cultural, denegar a verdade cristã , nós, como filhos de Deus, não devemos aderi-lo, militar por ele ou sequer agir como simpatizantes . Aquilo que te afasta da vontade de Deus, não merece espaço na sua vida.

“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2)

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  • Jornalista de coração apaixonado pela arte da escrita e por tudo que tenha relação com os mistérios de Deus. Aqui, posso unir essas duas paixões, sem reservas.

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