Onde o ego domina, a empatia não tem vez

Uma das definições para a palavra empatia no dicionário é “capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente”, e não é à toa que nos dias de hoje se menciona tanto essa palavra e se fala tanto sobre o significado dela. Acontece que a atualidade, o jeito como se vive hoje, o modo como a sociedade se estabeleceu na terra, são elementos que direcionam a atenção para o comportamento das pessoas perante as outras. E sobre essa questão é muito triste ter que constatar que uma palavra com um significado tão bonito não tem feito muito sentido à nossa volta, não tem sido colocada em prática em nosso meio, na intensidade e frequência que deveria.

É desanimador perceber que o ego das pessoas e o desejo desenfreado pela razão têm feito a empatia passar longe.

Não podemos generalizar e precisamos reconhecer que existem pessoas que vão além da empatia, essas pessoas vivem sob o comando do amor, da solidariedade e da justiça. Mas é inegável, em situações como essa que estamos presenciado nos últimos dias em nosso país, que o ser humano tem uma capacidade absurda se mostrar desprezível.

A tragédia em Brumadinho, Minas Gerais, com o rompimento da barragem da Vale, fez nossos olhos se abrirem, ao ponto de termos a certeza de que a humanidade está muito doente, em um estágio talvez irreversível. E as redes sociais, como tem acontecido sempre, são o nosso melhor termômetro. Em um momento em que devemos nos mobilizar e fazer tudo o que está ao nosso alcance para interferir no resultado dessa tragédia, nem que a única coisa que possamos fazer é orar por essas vítimas, algumas pessoas usam seus dedos, língua e imaginação perversos para proferir e espalhar o mal: ódio, discórdia, dúvidas, questionamentos imbecis e desnecessários, entre tantas outras coisas repugnantes.

Algumas pessoas tem a coragem inclusive de atacar aqueles que estão arriscando suas vidas pela vida alheia, ao invés de os aplaudirem, como heróis que são.

Brumadinho está embaixo de lama, famílias não puderam enterrar seus entes queridos porque essa lama os impediu. Crianças e animais inocentes deixaram de existir, pais, mães de família e trabalhadores tiveram seus sonhos interrompidos. Imagine quantos órfão passaram a existir após essa tragédia e quantas mães ficaram sem seus filhos, talvez até bebês.

Em meio a essa catástrofe tão insuportável, há desalmados expressando seus desabafos políticos, ideológicos, religiosos, como se essas coisas fossem realmente importantes nesse momento. Isso não é nada, isso não importa! As vidas e a perda das vidas é o que importa! É desolador vê que muitos que se dizem seres humanos estão mais preocupados em terem razão, em serem os donos da verdade, em terem voz, do que com quem deixou de ter voz ou com quem perdeu tudo o que tinha.

Os bombeiros, a polícia, o exército israelense, as ong’s, os defensores de animais, o governo, o ser humano de bom coração, todos esses merecem nosso apoio e nossos aplausos, porque entre erros e acertos, estão tentando fazer o bem e diminuir os danos dessa tragédia.

Vamos descer a lenha em que realmente merece, naqueles que com sua ganância e amor pelo dinheiro, cometeram esse crime contra a vida. Eles sim merecem todas as nossas críticas, merecem toda a nossa voz, nossas queixas e exigências. Mas podemos deixar isso para o momento oportuno. Agora é hora de nos unirmos por um bem maior, a dignidade de quem perdeu tudo o que tinha, a reconstrução de uma cidade devastada pela lama e pelo amor ao poder.

Vamos colocar em primeiro lugar a nossa capacidade de nos identificar com o outro, de sentir o que ele sente. Nosso ego, nosso facciosismo político e nosso partidarismo podem ficar para outro momento. Estamos passando dos limites.

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  • Jornalista de coração apaixonado pela arte da escrita e por tudo que tenha relação com os mistérios de Deus. Aqui, posso unir essas duas paixões, sem reservas.

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