Quando a ansiedade bateu à porta – A história de Laura (Parte 1)

Laura foi criada nos caminhos do Senhor e desde menina aprendeu a pôr em prática sua fé, até que viu seus dias de sol se tornarem nublados. Aos poucos a mulher forte e cheia de fé, foi atingida por problemas que aos seus olhos eram impossíveis para um cristão passar.

A data é 26 de janeiro de 2018, o dia que Laura recebeu seu diagnóstico, mas os efeitos eram notórios em sua saúde física e mental há pelo menos dois anos. Pouco a pouco eles foram chegando, se instalando, acomodando e tirando o que ela tinha de mais precioso, a vontade de viver e a fé.

Em seu corpo, dores contínuas, falta de ar, sonolência, cansaço excessivo (parecia que havia carregado pedras em meio ao sol de 40 graus o dia inteiro), tonturas e até calafrios começaram a fazer parte da rotina.

Em seu psicológico, era uma mistura de medo, agonia, batimentos acelerados, tristeza, crises de choro, desânimo, indisposição, problemas de concentração, esquecimentos, “pensar demais”, preocupação constante, procrastinação, necessidade de reafirmação, impaciência, ataques de pânico, transpiração excessiva, todos simultaneamente. Às vezes o corpo não reagia e as cobertas eram sua companhia, não havia força para levantar e viver se rendendo às lágrimas.

Ela indagava: Como posso estar assim? O que está acontecendo? Como cheguei a esse ponto e não percebi? Esses eram alguns dos questionamentos que fazia em uma luta constante para vencer algo que até então desconhecia. Era como se as forças descessem pelo ralo sem motivo aparente e causa justificável.

Não, ela não queria acreditar que tinha algo errado. Vai ver só estava em uma fase ruim, algum cansaço crônico devido à rotina exaustiva, afinal ela estudava, trabalhava, ia a igreja, atendia seus compromissos, cuidava de sua família e tinha uma vida considerada normal, mas não imaginava ser um confronto psicológico que só poderia ser reconhecido por ela.

O desprazer que sentia em viver estava boicotando todas as áreas da sua vida profissional, física, pessoal, sentimental, familiar e a que ela mais temia, a espiritual. Sentia-se culpada, ingrata e injusta com um Deus tão bom e misericordioso. As indagações não paravam de chegar: como posso ser assim com Deus? Será se Ele ainda me ama? Talvez seria melhor eu me afastar de tudo e todos?

Os fantasmas da incapacidade, pânico, vitimização e inferioridade eram permanentes chegando a pensar que era melhor Deus levá-la.

Como minha alma iria clamar a Deus por socorro? Pensava Laura. Ela não conseguia dizer nada em suas orações, não sabia o que dizer para Deus, mas sua alma gritava por socorro, ansiava por reposta.

Exclamou em desespero como Davi “Por que estás abatida oh! minh ‘alma e te perturbas dentro de mim? (Salmos 42:5a)

E seguiu Laura tentando desvendar o seu interior …

 

(Relatos de uma mulher cristã que sofre de transtorno de ansiedade e pré-depressão, contando como ela está vencendo a cada dia com Cristo esta luta. Laura quer mostrar que transtorno de ansiedade e depressão são patologias que devem ser tratadas e nem sempre significam ausência de Deus e fraqueza espiritual, todos nós estamos sujeitas a sofrê-las).

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  • João Matheus

    *_*

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