Quando a ansiedade bateu à porta – A história de Laura (Parte 2)

E segue Laura tentando desvendar seu interior…

Como está sendo difícil!

A ausência de compreensão interior é nítida, ela não só vê como sente, mas o que a aflige não é só a confusão interior e sim o que as pessoas irão pensar dela. O que acharão de tudo que ela externa? Sintomas que está sendo obrigada a conviver nesta fase desconhecida?

Fraca? Coitadinha? Frescura? Incompetente? Irresponsável? Procrastinadora? Preguiçosa?  – Indaga-se.

Laura sente medo, um medo que nem ela sabe explicar. Medo da rejeição, do desprezo, da indiferença e até de ser motivo de risos e zombaria por seu estado atual. Como ela iria continuar? Os ambientes frequentados exigiam uma postura forte, segura, decidida, a “Mulher Maravilha” que não tinha tempo para as “modinhas comportamentais” do século XXI.

O que ela fez? Foi empurrando com a barriga, vivendo um dia, minuto e segundo por vez, se enganando dizendo para si mesma que era só uma fase que não merecia tanto crédito; omitindo a todos sua atual condição psicológica e física, afinal era uma mulher “super poderosa”, então para todos estava tudo bem, menos para ela.

Até quando conseguirei esconder? – Exclamava em sua mente.

Os sintomas e sentimentos se intensificavam, a explosão de lágrimas poderia acontecer a qualquer momento, sem controle e em qualquer lugar. Não! Ela não podia demonstrar fraqueza, ver o sarcasmo e a indiferença de alguns a deixaria pior.

Então encheu-se de angústias e incertezas ao longo dos dias, meses e anos.  O que era para ser resolvido ainda no início estava tomando uma proporção muito maior que ela não alcançava e também desconhecia. Já não era mais a mesma, começou a ter seus primeiros sinais incapacitantes. Primeiro deixou de fazer tarefas simples, cuidar de si, de tudo que amava e passaram-se dias; com os meses percebeu que estava  acostumada com os sintomas, sem reação, sem ânimo e motivação. Sua rotina estava comprometida, sua vida desandou e até trabalho diversas vezes faltou por não conseguir se levantar, não querer ver o sol brilhar e em ver ninguém.

Laura não tinha forças para viver, era uma boa atriz.

Ninguém percebia seu caos interior, nem sua família, colegas de trabalho, igreja, amigos etc. Ela não deixava ninguém perceber sua dor, afinal o sorriso sem graça ajudava a disfarçar o rosto inchado de lágrimas, mas o que ela queria mesmo era ver essa dor passar…

 

(Relatos de uma mulher cristã que sofre de transtorno de ansiedade e pré-depressão, contando como ela está vencendo a cada dia com Cristo esta luta. Laura quer mostrar que transtorno de ansiedade e depressão são patologias que devem ser tratadas e nem sempre significam ausência de Deus e fraqueza espiritual, todos nós estamos sujeitas a sofrê-las).

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