Não sei muito bem como começar esse texto e falar sobre tudo isso, então começarei com uma pergunta: JÁ SE SENTIU SOZINHO? OU DEIXADO DE LADO POR ALGUÉM IMPORTANTE? 

    Se sua resposta for sim, continue lendo, se for não, guarde esse texto porque um dia a resposta será sim.

    Num tempo onde mesmo fisicamente sozinhos, podemos estar conectados à 2969853534 pessoas, não somos ensinados sobre como lidar com a nossa própria companhia, ou como reagir a solidão, e pouco incentivados a ter momentos de solitude. O chavão “é impossível ser feliz sozinho” se tornou um fardo.

    Mas a verdade é que mesmo cercados de gente e convivendo com multidões, ainda podemos nos sentir extremamente sozinhos.
    Esse século tem nos ensinado a ser dependentes de aceitação, aprovação, likes, elogios… e nada disso é errado! Desde que não nos tornemos dependentes.

    DEPENDÊNCIA EMOCIONAL
    “A dependência emocional acontece quando alguém depende de outro para ser feliz, para se sentir bem, para se sentir amada, para tomar suas próprias decisões. Pode ser um sofrimento leve e quase imperceptível ou até um transtorno mental que exige tratamento.”

    Depender emocionalmente dos outros é pedir pra passar raiva e quebrar a cara (sorry, mas é). Vejo por mim! Perdi as contas de quantas vezes deixei de ir à lugares que queria porque teria que ir sozinha, ou menosprezei meu trabalho por ele não ter sido tão valorizado por outras pessoas. Cansei de ouvir histórias de pessoas presas em namoros fracassados e infelizes que não conseguiam terminar por não conseguirem viver sozinhas de novo. Ou medo de não encontrar outra pessoa.

    Depender emocionalmente de alguém ou de alguns é basicamente colocar toda a sua expectativa de felicidade em outros. Precisamos de relações saudáveis para sermos felizes? Sim. DEPENDEMOS? Não.

    SOLIDÃO
    “Estado de quem se acha ou se sente desacompanhado ou só; isolamento.”

    Se a felicidade e o contentamento dependesse unicamente dos nossos relacionamentos interpessoais, o que explicaria os dias em que mesmo sabendo que somos amados, cheios de amigos e família e até convencidos de certa forma do amor de Deus, ainda somos invadidos por solidão quando chegamos em casa e nos percebermos sozinhos? Nossa própria companhia não é suficiente. E às vezes, nem a dos outros.

    Outro ponto sobre solidão, é que se em um caso ela pode ser suprida mesmo que superficialmente por companhias, mais tempo com amigos e outras pessoas, em outras situações, independente dos nossos relacionamentos interpessoais, nos sentimos desacompanhados.

    SOLITUDE
    “Solitude é o estado de privacidade de uma pessoa, não significando, propriamente, estado de solidão, é o isolamento ou reclusão voluntário, quando o indivíduo busca estar em paz consigo mesmo. Diferente da solidão que em sua essência é o estado emocional do indivíduo que deseja ardentemente uma companhia e não a tem.” (Wikipedia)

    Jesus. Jesus era o cara também no assunto “independência emocional”, não interessava se as pessoas ao redor concordavam ou não, acreditavam ou não se ele era quem dizia ser, isso não mudava a imagem que ele tinha de si. Cercado de gente, seguido por multidões, vez ou outra vemos ele saindo de cena de fininho para ficar sozinho.

    Você se lembra a última vez que foi ao cinema ou fez outra coisa sozinho? Não pela falta de companhia, mas porque quis. Quis curtir a própria companhia sem desconforto por estar só?

    Estou numa fase da vida (não tão voluntária, confesso, rs) que passo muito tempo sozinha, e amando! E foi um processo de passar da solidão, pra solitude. Quando eu estava me sentindo solitária, eu não estava fisicamente só, via meus amigos quase todos os dias, todo fim de semana saia, mas a manhã de segunda chegava e tinha um vazio. Mas o ponto é, SE mesmo em companhia de um monte de gente que eu amo e que me ama, eu não me sentia mais feliz, POR QUE a ausência de pessoas, deve me tornar menos feliz? Faz sentido? Tá, vamos continuar.

    Acredite, a qualidade dos seus relacionamentos interpessoais começa na maneira como você se relaciona consigo mesmo. Pense que se você já é plenamente ou 98% feliz e independente, amizades, e relacionamentos, só irão completar e transbordar.

    Na Bíblia sempre vemos o incentivo à comunhão, à relações saudáveis, a conviver com outras pessoas. Deus é completamente relacional, nós fomos feitos para relacionamentos, Jesus pagou um preço para que hoje tivéssemos um relacionamento com Ele, que é o primeiro e mais importante que nós temos, que serve de base para todos os outros.

    E mesmo com todo inventivo à comunhão, Jesus vem e mete essa aqui:
    “E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa.

    Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará. ” Mateus 6:5,6

    Tem lições para uma vida inteira só nesse trecho. Primeiro, fazer as coisas só pela aceitação e bajulação dos outros é diminuir o que nós fazemos ao preço da opinião alheia. O que nós fazemos e principalmente o que somos não pode de jeito nenhum ser medido pelo valor que o outro dá, pelo quanto ele aprova, acha bonito, aceita ou recusa.

    Segundo, Jesus conta o segredo do seu relacionamento com o Pai: “entra no seu quarto e fecha a porta”, isso nos remete a intimidade, ao secreto, ao que ninguém vê, a parte de nós mesmos que só nós e Deus sabemos. Todas as orações públicas de Jesus foram curtas, mas quando Ele subia ao monte para orar, passava horas. Não faltava assunto, Ele estava fazendo a manutenção do seu relacionamento com o Pai e consigo mesmo.

    Jesus era muito certo de quem era, ou você conhece mais alguém que ficou quarenta dias e quarenta noites sozinho sem reclamar de solidão? (Mt 4:1–11). Para escolher os doze apóstolos, Ele se retirou ao monte (Lc 6:12). Ao saber da notícia da morte de João Batista, Jesus “retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, à parte” (Mt 14:13). Após multiplicar pães e peixes para cinco mil pessoas, Jesus despediu-se das multidões e “subiu ao monte, a fim de orar sozinho” (Mt 14:23). Depois de uma longa noite de trabalho, “tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava” (Mc 1:35). Depois de curar um leproso, Jesus “se retirava para lugares solitários e orava” (Lc 5:16). Enquanto se preparava para Sua crucificação, Jesus buscou a solitude do jardim do Getsêmani (Mt 26:36–46).

    Acredito que a independência emocional que Jesus tinha, e a maneira que valorizava o tempo a sós e o seu tempo com Deus, são duas das maiores lições que Ele nos deixou.
    Se estamos bem com Deus, estaremos bem com nós mesmos, e se estamos bem em ambas as relações, estaremos muito bem com o nosso próximo, mas independente.

    E sobre meu aniversário e uma situação que resume e exemplifica tudo o que foi dito até aqui: uma pessoa (absurdamente importante pra mim) que desde que nos conhecemos nunca deixou um aniversário meu em branco, esqueceu esse ano, ou lembrou e mesmo assim não me parabenizou, enfim. Achei estranho não receber pelo menos uma mensagem, e pensando sobre essa ausência, senti paz, talvez se tivesse acontecido ano passado, eu teria ficado bastante chateada. Mas não, parei e percebi que por mais que eu ame loucamente minha família, ame meus amigos, ame estar acompanhada, ame a reciprocidade… se um dia faltar, se um dia eu estiver longe ou eles estiverem longe, ou algum deles simplesmente não corresponderem ao meu amor, não tem problema, desde que eu esteja segura em mim mesma, ancorada na minha relação com Jesus (que torna todas as outras melhores). Não importa que eu seja esquecida, Ele sempre lembra de mim, e eu me amo, porque Ele me amou primeiro.

    Abraços!
    Me segue no instagram: @rayanefrance

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